Num
dos mais alcantilados cabeços de Barrancos, mais propriamente
a noroeste desta povoação e junto à fronteira
com Espanha, situa-se um castelo completamente isolado, é
o Castelo de Noudar. Contornado a Norte e a
Sul, respectivamente pelas ribeiras de Ardila e de Múrtega,
que confluindo a ocidente vão formar o rio Ardila, que
por sua vez vai desembocar no Guadiana.
O
Castelo
de Noudar,
situado num ponto estratégico, ainda pouco se sabe do
que ali se passou, não só antes da sua incorporação
definitiva em Portugal em meados do século XIII, mas
também posteriormente.
Chegados à entrada da sede do concelho, a cerca de um
quilómetro da vila, há que seguir por um caminho
um pouco difícil que nos conduz à antiga "Villa
de Noudar".
É então, que a cerca de nove quilómetros
de Barrancos, encontramos imponentes as muralhas do castelo, destacando-se
a torre de menagem, situadas numa região de cota elevada
a duzentos e setenta e cinco metros, perto das "juntas"
ponto de confluência das águas das ribeiras.
Chegados ao castelo, encontramo-nos na raia, no limite norte do
"saliente de Barrancos" onde o acidentado do terreno
apresenta uma combinação difícil e complicada
entre a orografia e a hidrografia em que os recortes de montes
e vales nos dão a ilusão de existirem ali vários
rios.
O
Castelo
de Noudar apresenta
nas suas linhas gerais as características da fortificação
medieval, constituída pelo castelo onde existe a torre
principal - torre de menagem - e pela cerca da vila a envolver
a povoação que se organizou fora da cerca do castelo.
Podemos verificar que a arquitectura da fortaleza é construída
num lugar dominante para defesas de populações ou
do senhor que ali tinha a sua residência.
Castelo e povoação caracterizam-se por uma arquitectura
muito sóbria. As muralhas arruinadas da velha fortaleza
e do burgo, há muito despovoado, certamente que apregoam
as vitórias e os revezes de épocas bastante recuadas
da história.
A situação geográfica
e a sua localização dispensavam a existência
de um fosso, uma vez que ao redor os terrenos constituem declives
muito íngremes que vertem para as ribeiras de Ardila e
Múrtega.
À semelhança de tantas outras, é de presumir
que a fortaleza inicial tivesse consistido num castro de povoamento
de transição do período neolítico
para o calcolítico, o que poderia já ter constituído
um ponto de apoio para a ocupação romana na região.
Ali se pode ter organizado um dos muitos postos militares que
os romanos estabeleceram em pontos estratégicos para segurança
dos territórios que ocuparam e das respectivas vias de
comunicação.
A
implantação do Castelo
de Noudar apresenta
a tipologia de um castelo misto, civil e militar, estruturado
a partir da sua torre senhorial, a qual tem perfeito domínio
sobre os terrenos e vias fluviais ali existentes. O restauro
e fortificação no reinado de D. Dinis mais não
fizeram que preservar o castelo em defesa de direitos territoriais
com o apoio da Ordem de Aviz, aliás uma acção
coordenada característica dos princípios da Idade
Média.
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